terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Valgramepe!



Por mais que eu busque, não consigo me encontrar. Envelheço e não me entendo. Continuo procurando a outra metade de mim mesmo em outras pessoas, mas não consigo me doar e ser inteiro para alguém. Todas as teorias lidas, relidas, estudadas, não impregnaram minha alma. Sou um insensível cheio de cultura e saber. O livre arbítrio concedido não me faz ser fiel, ser honesto, ser digno do amor que me dispensaram. Quantos amores recebi?  Poucos retribui com sinceridade. Na solidão de todos os dias, nas noites insones ou madrugadas,  as angústias, as perguntas abalam meu corpo envelhecido e cansado das andanças de uma vida com mais de meio século. Os afazeres diários camuflam minha vida medíocre, mas à  noite no silêncio de um quarto desarrumado me mostram como tenho uma vida tão pobre. De amigos, de felicidade, dinheiro e sonhos. Tantos amores já passaram em minha trajetória e não tenho ninguém me amando sinceramente ao meu lado. O que fiz com essas mulheres que conheci e continuo buscando conhecer? Sou bom o bastante para despertar um amor mais presente? Consigo inspirar confiança? Sei no meu mais íntimo ser, lá no fundo de minha alma que não. Às que me perguntam se mereço confiança, respondo cinicamente e com verdade disfarçada, que não. Não mereço o amor que me dedicam. Os momentos que me dão, os presentes que recebo, o carinho que não agradeço e/ou retribuo.. Sou um infiel costumaz. E isso é uma verdade rotineira. Procuro tanto um amor em todas as rodas, em todos os cantos possíveis e não o encontro em mim mesmo para que possa dar à alguém que o mereça. Será que sei amar? Tantas mulheres, tantas possibilidades e não concretizo nenhuma com sucesso duradouro. Na solidão comigo mesmo, reconheço que sou infeliz, que o tempo passa rareando cada dia mais  meu caminho ao encontro do par, do envelhecer contando minhas inúmeras estórias de vida e de luta. Meus estudos se perderão com o meu partir definitivamente. Onde estarão guardados meus momentos? Onde estarão os sentimentos bons que propaguei? Não sei. Sou um leão com os pelos marcados pelo tempo que tenho em idade, meu corpo sinaliza meus anos de vida, e a degradação que meus nervos, pele, sangue, músculos, coração e mente. Tenho lapsos de memória, sono demasiado, manias de velho, e impaciência com o mundo. Não adianta buscar agora o que deixei de doar aos outros seres durante tanto tempo. Hoje, talvez, esteja recebendo de volta aquilo que me é de direito. Passei muito tempo da vida indiferente aos sentimentos em minha volta, à dedicação sentimental que me deram e agora busco freneticamente um pouco daquilo que desvalorizei. Estou cada dia mais velho, mesmo que me esforce para continuar ativo, as forças me abandonam devagar e continuamente. Não se pode voltar no tempo e espaço. Tenho que me conformar, e continuar tentando amenizar a dor em meu peito, a sensação de fracasso sentimental. Camuflar ainda mais minha solidão e com toda sinceridade de minha alma, chorar o que for possível, reconhecer todos os erros, orar todos os dias e horas, tentar encontrar em mim mesmo, razões para não me tornar um velho tão infeliz e solitário.  Deveria pedir perdão em minhas orações, `a todas aquelas mulheres que conheci e não dei valor. À todas as pessoas que me quiseram bem, à todas as oportunidades que tive de ser uma pessoa melhor e não fui e hoje reconheço, não sou. É doloroso esse silêncio, essa assustadora voz da consciência que me diz, me mostra todos os meus erros. Vou chorar sozinho. Aqui posso fazê-lo, mas é tão triste isso.


Irene Freitas
22/01/2013

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Ser e parecer!

Quem hoje em dia faz isso..."abrir sua alma a alguém. Deixá-lo entrar em seu espírito, pensamentos, medos, futuro, esperanças, sonhos? Se existe, esse ser estará se desnudando por completo."... Mas o que temos visto é justamente o contrário. Pessoas cada vez mais se fechando, fugindo do amor, ou das "normalidades" que num amor existem...hoje é cada um para o seu lado...Sinto saudades de tempos passados, quase adolescencia, onde o amor era cultivado nos pequenos momentos em que estavam juntos...onde havia fugas para a reliazação desse inocente amor...sorrio com as lembranças...quem hoje se lembra do "primeiro beijo"...Tão raro! Como é bom saber que houveram pessoas tão dispostas ao amor, a fazerem felizes aqueles a quem amavam e suspiravam ao estarem lado a lado...vou parar senão não termino...nomes, feições, descobertas...era tudo tão bom!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Uma noticia ruim

Quando saí da escola queria um colo, um chameco, um aconchego, alguém com quem pudesse conversar e secar minhas lágrimas. Estou tão triste com as coisas ao meu redor, uma vida inteira, tantos percalços já superados e ainda continuo sendo uma ingênua, boba, imbecil e babaca. Há tanta obviedade, só eu não consigo vê-la, ou melhor, crê-la. De que me adianta ser legal, generosa (como diz a Rosa) se não obtenho uma paz na alma, um carinho, um afeto que pudesse estar comigo quando eu precisasse. Mais uma vez em minha vida precisarei me auto-sustentar. Me auto-fortificar e encobrir a tristeza que tenho na alma. Gostaria de ter um colo para chorar todas as lágrimas que tenho hoje. Alguém que me dissesse: "não fique assim, eu estou aqui".Procurei um colo, um aconchego. Não achei nenhum!

Irene Freitas
06/12/2012

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Somente Amor!

Mãos entrelaçadas
Num sinal de amor.
Mãos que conversaram
Demasiadamente.
Mãos carinhosas
Umas com as outras
Mãos atadas na escuridão
e no silêncio geral.
Atentos aos sons ao redor
Num relance de carinho
Demonstram um amor 
Outrora envergonhado
Escondido e talvez proibido.
As mãos 
E juntamente os corpos
Externam o amor hoje
possível e visível
O amor que se permite 
Ser público, sincero, real
aos olhos externos
Esse amor que não se envergonha
Não tem rótulos, não tem medos
Somente Amor!
Entre homens.

Irene Freitas
05/12/2012


Perguntas...

Segredos
Muitas vezes
Guardados tão bem!
Sofrendo sózinha
Angustiando a alma
Apertando o coração
Atormentando os sentidos
Mente que não pára
Confusões sem respostas
Incredulidade latente
Quero a verdade
Mesmo dolorosa
Pelo menos sincera
Dores são rituais na vida
Confiança deveria ser constante
Saber
Sofrer
Questionar
Entender
Justificar
Descobrir as razões
Em mim mesmo
Por existir tantas mentiras
Dissimulação
Desprezo
Desapego
Descaso
Puro e simples
Aff...duro aguentar!

Irene Freitas
05/12/2012